terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tupelo.

Fui para Graceland no dia 08/08, um lindo domingo ensolarado. Claro que antes fui a Graceland para a free admission, que foi um misto de choque e sonho. Era muito díficil de realizar que eu estava em Graceland, numa manhã tão linda como aquela, transformando todo o sonho de uma vida em realidade. Nunca mais vou esquecer a sensação que tive quando aqueles portões se abriram para mim pela primeira vez. Fiquei uns 20 minutos lá dentro e já saí rápido para pegar um taxi para Greyhound Station. Perguntei a respeito de taxi para algumas pessoas, mas com esse meu inglês maravilhoso, foi difícil compreender que alí existia um local onde os taxis param, mas que aquela hora da manhã não teria nenhum a minha espera e que eu precisaria telefonar dalí do ponto de taxi, que aliás é uma linha direta, é só tirar o fone do gancho. Andei pra lá e pra cá no ponto onde me indicaram até cansar, foi quando perguntei uma última vez e me indicaram o telefone. Que alívio! Chegou o taxi, e partimos para a Greyhound Station. No caminho o motorista quis me persuadir a qualquer custo a ir de taxi para Tupelo a um preço simbólico de US$ 247.00 só a ida. Cheguei na Greyhound faltavam 5 minutos para as 9:00, comprei rapidamente meu bilhete e já fui para o gate indicado, sempre confirmando se realmente aquele era o gate certo (depois da experiência em Atlanta, tinha que me certificar). Peguei o ônibus no horário certo e segui viagem. Tivemos uma parada na estrada, onde um senhor que viajava ao meu lado comprou algo e me ofereceu, eu declinei mas ele fez questão absoluta que eu comesse. Claro que tive que comer, e não me arrependi: Fried chicken com catchup, quentinho, maravilhoso, um dos melhores pratos de Memphis. Segui viagem até Tupelo, o pessoal da Greyhound chamou um taxi para mim e fui direto para Elvis Presley Birthplace. Fiquei encantada com o lugar, é simplesmente magnifico e de uma paz que não dá pra explicar em palavras. Conheci uma senhora moradora do local, a simpatia em pessoa, estava com as netas de Chicago, consegui travar um diálogo, tiraram algumas fotos e disseram que já estavam indo embora pois a casa não abriria pois era domingo, somente a igreja iria abrir e somente as 13:00. Bem animadora a informação depois de 2 horas de viagem. Bem, fiquei esperando pacientemente até que desse o dito horário e para minha surpresa e alegria, abriu a casa, a igeja e o museu. Fiz as visitas, me emocionei as lágrimas, quem me apresentou a igreja foi nada menos que Sybill Presley, a própria prima de Elvis, que inclusive me deu seu cartão. Depois de muita emoção, pedi para as simpáticas senhoras que ficam na loja de souvenirs chamarem um taxi para mim, porque alí não tem nenhum. Aguardei lá fora a chegada do taxi, num calor de derrubar camelo, e o taxi chegou uma meia hora depois. Parti para a Greyhound Station, pois sem carro ficaria muito difícil conhecer algo. Quando cheguei a porta da Greyhound, a primeira surpresa: Um bilhete dizendo que estava fechada e só abriria por volta das 16:30. Meu Deus, e agora? Saí a procura de algum lugar para comer, tomar algo, andei e andei pelas redondezas e tudo fechado. Não passava nada, carro ou pessoas, nem vento passava perto. Todos os estabelecimentos ao redor estavam fechados. Pensei: como eu vou voltar para a Greyhound e ficar até abrir, debaixo desse sol, com esse calor, sem alimentação ou aguá? Fui caminhando e com medo de cair no chão a qualquer momento porque o calor estava forte demais e eu estava sentindo tontura. Muito bem, consegui chegar a Greyhound, mas ainda estava com o problema. Parada, naquele momento, debaixo do sol e sem nenhuma alternativa, olhei do outro lado do trilho do trem a uns 100 metros em linha reta de onde eu estava e vi uma luz no fim do túnel. Três policiais conversavam a sombra em frente um distrito. Não pensei duas vezes e fui na direção deles. Quando me aproximei dos trilhos, perguntei se podia atravessar, cuja resposta foi SIM. Fui até eles e quando me aproximei, disseram algo a respeito de não fotografar ou filmar aí eu expliquei minha situação, que estava com sede. O policial que parecia ser o chefe me perguntou se eu havia comido, eu disse que não porque não tinha bar ou restaurante aberto e ele me explicou que aos domingos Tupelo fecha completamente. Me conduziu dentro do distrito, numa sala que mais parecia daqueles cursos de policiais que se vê em filme, me deu muita água, um combo contendo lanche, cookies, doces...Acabei de me alimentar, ele recarregou os meus refis de água, agradeci muito e voltei para a porta do distrito. Esperei até o horário estabelecido no bilhete e abriu em ponto. Me sentei e fiquei aguardando o meu ônibus. Contei minha história para um senhor que parecia ser o responsável pela Greyhound de Tupelo, ele me mostrou as fotos de Elvis na estação, dizendo que sua esposa era do fã clube local. Maravilhosas fotos. De repente, a esposa dele chega (ele ligou para ela dizendo que tinha uma fã do Elvis do Brasil) e ela veio somente para me presentear. Fiquei sinceramente comovida e depois de tudo, ainda me coloca em seu carro para darmos uma volta pela cidade, para que ela pudesse me mostrar a escola em que Elvis estudou, o rio em que ele nadava quando pequeno, o restaurante que ele comia...gente... que povo maravilhoso esse, do sul dos Estados Unidos. Quando lembrava do que o brasileiro é capaz de fazer com quem vem de lá de fora, fiquei com muito vergonha. Nos despedimos na Greyhound assim que chegou meu ônibus e fui para Memphis, com bastante saudade desse lugar de pessoas tão acolhedoras.

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